sábado, 18 de outubro de 2008

Noel Rosa

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Último Desejo Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo Numa festa de São João Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, sem luar, sem violão Perto de você me calo, tudo penso e nada falo Tenho medo de chorar Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo você não pode negar Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga Se você me quer ou não, diga que você me adora Que você lamenta e chora a nossa separação Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

cartola 100 anos

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"Faço samba, música para você guardar dentro de si eternamente no seu coração, e não apenas na sua coleção de discos."

"Cartola é sem sombra de dúvida, um dos construtores da música popular urbana carioca. Por uma feliz coincidência, Cartola e Noel Rosa (1910- 1937) se encontraram em Vila Isabel no final da década de 20, um negro e um branco, um pedreiro e um estudante, um morador de classe média do bairro. O negro Cartola tocava violão e transformava em arte a herança rítmica e melódica dos negros Bantos, entre eles seus avós. O branco Noel, mau estudante de Medicina, transformava em música e poesia a crônica dos boêmios da cidade, que o rádio incipiente começava a transformar em sucesso.

Só que as diferenças sócio-econômico-culturais eram infinitamente menores do que as identidades que as atraíam. Assim, os encontros desses dois, diários, regados à cerveja e cachaça, testemunhados por vizinhos e amigos, nos becos e tendinhas do morro da Mangueira e mesmo no barraco de Cartola, duravam dias e noites. E acabaram rendendo frutos suculentos para a evolução do samba: as letras de Cartola tornando-se mais “literárias” e as músicas de Noel ganhando nova abordagem rítmica, “palpites felizes” de cada um. Sob as bênçãos de São Sebastião, santo católico, Oxássi na intimidade dos terreiros cariocas... e do maestro Heitor Villa-Lobos."

Marília Trindade Barboza, amiga e biógrafa

O cd Só Cartola traz cinco músicas nunca gravadas no Brasil, A Mangueira é muito grande, Velho Estácio, Ciúme Doentio e Deixa, interpretadas pelo parceiro e amigo Nelson Sargento, e o prelúdio instrumental Sol e Chuva. Elton Medeiros - também companheiro - relembra suas parcerias com o mestre: Sofreguidão, A Mesma História, Peito vazio, Injúria e O Sol Nascerá. Nelson e Elton também cantam juntos alguns sambas memoráveis. Os arranjos refinados são de Afonso Machado, bandolinista do Galo Preto e pesquisador que compilou as partituras de 140 músicas de Cartola. Em breve será lançado o dvd com a gravação do show ao vivo. Ótima homenagem a este grande artista brasileiro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

L'Argent de Robert Bresson (1983)

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O último filme do cineasta francês Robert Bresson, baseado num conto de Leon Tolstoi, apresenta um estudo sobre os efeitos que o dinheiro pode causar nas pessoas e na sociedade. É uma verdadeira aula de elegância na direção. Repare como o diretor nos conta a história, enquadrando mais os objetos, rostos e pernas das pessoas, ao invés de mostrar mais os olhares e rostos das personagens. Dica: é o tipo de filme para ser visto sem ler a sinopse (que aliás entrega até o final do filme). Ao assistir os também franceses "O Adversário" e "Caché", nota-se que "L'Argent" continua fazendo escola.
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