terça-feira, 30 de setembro de 2008

Premio literário Portugal Telecom

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Divulgados os finalistas ao prêmio:

Eu Hei de Amar uma Pedra

Em seu novo livro, António Lobo Antunes apresenta um texto radical e inovador, como poucas vezes se viu na literatura contemporânea. Numa história em que passado e presente se fundem, acontecimentos paralelos à vida do protagonista são narrados por personagens que giram em torno dele: suas duas filhas, sua mulher, a amante e um médico. Juntas, essas narrativas compõem uma visão multifacetada e rica dos acontecimentos, na qual passado e presente se fundem num constante fluxo de pensamento.

Tarde

A exemplo de Macau, livro anterior de Paulo Henriques Britto, Tarde é composto de poemas em que a ironia e a metalinguagem convivem com o extremo rigor compositivo. O processo de criação é um tema caro ao autor. Seus versos denotam uma reflexão meticulosa sobre o fazer poético, mas extraem força justamente da aceitação de que o conhecimento teórico não esgota as possibilidades de sentido.

20 poemas para seu walkman

Um livro de muitas vozes, velocidades e lugares - Catalunha, Nova York, Paris, Berlim, um deserto no México. Mas não é como turista, apressado ou aprendiz, que a autora carioca circula. É quase como uma espiã perdida, seguindo ruas que se entrecortam, vozes e indicações que se confundem, impulsos e sentimentos contraditórios. De clara legibilidade, seus poemas mesclam referências tradicionais às obscuras sensaçôes vividas pelo viajante clandestino.

Antonio

Neste terceiro romance de Beatriz Bracher, Benjamim, o protagonista, na iminência de ser pai, descobre um segredo familiar e decide saber dos envolvidos como foi que tudo aconteceu. Três deles – a avó, Isabel; Haroldo, amigo de seu avô; e Raul, amigo de seu pai –- lhe contarão suas versões dos fatos, e é recolhendo esses cacos de memórias alheias que Benjamim montará o quebra-cabeças da história de sua família. Narrativa polifônica, em que cada capítulo dá voz a um dos três narradores-personagens, é possível associá-la ao Faulkner de Enquanto agonizo, mas também ao Lúcio Cardoso de Crônica da casa assassinada.

Histórias de Literatura e Cegueira

A partir da vida e obra dos escritores Jorge Luis Borges, João Cabral de Melo Neto e James Joyce, Julián Fuks constrói um híbrido entre ensaio e ficção com pequenas histórias fragmentadas de momentos da trajetória de cada um desses autores, que possuem em comum a cegueira precoce ou tardia. Cenas da criação de poemas, contos, ensaios, romances são abordados de forma original, como uma ficção sobre outra ficção.

Laranja Seleta

A poesia de Nicolas Bahr é simples, sem rodeios, vale o que está escrito. Ideologia está presente não só nos poemas, mas na vida do escritor. Nicolas cultiva mudas de espécies nativas do cerrado. Com mais de 20 livros editados pelas próprias mãos, Nicolas lança agora "Laranja Seleta", sua primeira obra publicada por uma editora e que inaugura a coleção "Língua Real", da editora Língua Geral.

O amor não tem bons sentimentos

Prêmio Jabuti 2000, Raimundo Carrero revela um personagem denso, às vezes cruel, às vezes lírico, possuído de um lirismo comovente, um lirismo brutal, de quem ama com arrebatamento e sem controle, capaz de ver em Biba o seu peixinho dourado, assim como descarrega a sua paixão desmedida sobre a menina e sobre a mãe.

O Sol Se Põe em São Paulo

No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi - uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O sol se põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado.

O Filho eterno

Neste livro, Cristóvão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. Aproveita as questões que aparecem pelo caminho nestes 26 anos de seu filho Felipe para reordenar sua própria vida: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública.

Os da minha rua

Em "Os da minha rua", o novíssimo livro de estórias do jovem poeta e ficcionista angolano Ondjaki, o autor reedifica os da sua casa: da memória, do afecto, da identidade. Com escrita depurada casada com a oralidade, reconstrói-se o universo da infância e o correr da vida em Luanda: a escola e os professores cubanos, brincadeiras e descobertas, festas em casa dos amigos e dos amigos dos familiares. Atesta-se dessa maneira o convívio social de uma terra que se queria unida.

Quais serão os três escolhidos?

DVD :: Moviola Recomenda!

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Para os que estão saturados com o cinema norte-americano atual (povoado por super-heróis e refilmagens), não deixem de assistir ao ótimo “A Família Savage” (The Savages); mais uma produção independente e provavelmente um dos grandes filmes de 2007. Humano, complexo, com excelentes atuações, denso, dramático e ao mesmo tempo divertido. Altamente recomendado!

sábado, 27 de setembro de 2008

cinema, poesia e literatura

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Imagens são palavras que nos faltaram. Poesia é a ocupação da palavra pela imagem. Poesia é a ocupação da imagem pelo ser. Manoel de Barros Sem querer, Manoel de Barros, cunhou uma das melhores definições sobre a relação cinema-poesia-literatura. Uma relação interminável, feita de aproximações, rusgas, negações, afastamentos e inevitáveis reconciliações. Desde sua invenção, o cinema vem utilizando textos literários como fonte inspiradora. De uns tempos pra cá o inverso também está acontecendo. Para compreender melhor o entrelaçamento destas duas expressões artísticas talvez seja possível imaginar um processo cíclico em que os filmes buscam nos livros temas e formas de narrar que os livros apanham dos filmes. Isso pode ser percebido em autores que assumem a influência do cinema em seu estilo de escrita, às vezes até assumindo a direção em um set de filmagem. O escritor e cineasta americano Paul Auster é um dos melhores exemplos disso. Ele realizou seu primeiro filme O Mistério de Lulu em 1998. O teor autoral de Auster é notável em qualquer linguagem que exerça, vide a similaridade temática dos livros A Noite do Oráculo e Viagens no Scriptorium com os filmes Mistério de Lulu, Cortina de Fumaça e, mais recentemente, Kimera. O brasileiro João Paulo Cuenca, em seu romance O Dia Mastroianni, cria personagens que tem como meta passar as vinte e quatro horas do dia como o mítico ator do cinema italiano. Amplia ainda mais a influência cinematográfica, ao nomear de Pedro Cassavas o personagem principal; clara referência a um dos grandes diretores do cinema americano: John Cassavetes. Por sinal, no Brasil só é possível encontrar os filmes de Cassavetes em locadoras que tenham importado seus dvds (a Moviola tem), pois ainda não houve lançamento de seus filmes no país. Outra intertextualidade interessante é a influência de Honoré de Balzac sobre a obra de François Truffaut.Ao realizar A Comédia Humana, Balzac compôs um monumental conjunto de histórias em que retrata a França, os franceses e a Europa, entre a Revolução Francesa e a Restauração, inclusive nos seus pormenores econômicos. Sem esconder a admiração pelo autor, Truffaut constrói uma obra similar ao descrever a história de Antoine Doinel e nos dar a possibilidade de ver a evolução, o crescimento e toda a sociedade que circunda a personagem. Desde a criança problemática de Os Incompreendidos até o trintão recém-divorciado de Amor em Fuga, durante vinte anos vemos uma personagem que hipnotiza, enternece e, acima de tudo, marca, em qualquer uma de suas aparições. O fascínio por Balzac é verbalizado por Antoine, notadamente um alter ego de Truffaut. Recentemente houve uma invasão de adaptações cinematográficas de livros de sucesso com relativo êxito de crítica e público. É o caso de O Caçador de Pipas, livro bastante vendido e filme de sucesso. O fenômeno televisivo Sex And The City, tornou-se um best seller e um blockbuster. No Brasil, a adaptação do livro Meu nome não é Johnny ultrapassou a marca do milhão de espectadores, confirmando (e aumentando) o sucesso do livro.Budapeste, último e melhor romance de Chico Buarque está sendo adaptado para o cinema por Walter Carvalho. Assim como Ensaio Sobre a Cegueira de Fernando Meirelles teve o aval de José Saramago. Uma exceção é Machado de Assis. O escritor não gozou da sorte de ter adaptações honrosas para seus livros. As versões cinematográficas de Memórias Póstumas de Brás Cubas e, principalmente, Dom Casmurro ficaram muito aquém dos originais. Se a intenção é conhecer Machado, esqueçamos os filmes. O melhor é aproveitar o centenário de morte do autor, já comentado neste blog, e o subseqüente relançamento de sua obra e ir diretamente aos livros. O cineasta russo Andrei Tarkovski costumava dizer que seu maior desejo sempre foi o de conseguir se expressar nos filmes, de dizer tudo com absoluta sinceridade. Mesmo realizando algumas das obras mais intensas do cinema, como Solaris, Sacrifício, Nostalgia e o Espelho, talvez em nenhuma delas ele tenha sido tão sincero e expressivo quanto no livro que escreveu. Esculpir o Tempo é um livro repleto de reflexões acerca da arte, do cinema e da literatura. Em uma pequena passagem o autor decreta: "Há alguns aspectos da vida humana que só podem ser reproduzidos fielmente pela poesia." Manoel de Barros concorda.
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